Nicole Mendes
Mestranda em Meios e Processos Audiovisuais pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP)
São Paulo, Brasil
nicoleclip@gmail.com
Resumo
Agnès Varda, em seu curta-metragem Ulisses, explora a memória e o arquivo por meio de uma fotografia de enorme valor afetivo. Questionamos, aqui, a capacidade do arquivo de preservar fielmente o passado, evocando Jacques Derrida e seu conceito de “mal de arquivo” – a pulsão destrutiva inerente à tentativa de registrar a memória. A partir disso, investigamos como Varda, em vez de buscar uma verdade absoluta, opta por uma fabulação afirmativa, preenchendo lacunas com performances e interpretações, dissolvendo fronteiras entre o real e a ficção. Assim, Ulisses não reconstrói o passado, mas, a partir da fabulação afirmativa e performática, inscreve-se materialmente em Varda, no processo de sua afirmação enquanto construtora de sentidos.
Palavras-chave: Memória; Arquivo; Fabulação; Performance; Fotografia.
Abstract
In her short film Ulysses, Agnès Varda explores memory and the archive through an immense affective value photograph. Here, we question the archive’s capacity to faithfully preserve the past, evoking Jacques Derrida and his concept of “archive fever” – the destructive impulse inherent in the attempt to record memory. From this, we investigate how Varda, instead of seeking absolute truth, opts for an affirmative fabulation, filling gaps with performances and interpretations, dissolving boundaries between reality and fiction. Thus, Ulysses does not reconstruct the past, but, through affirmative and performative fabulation, materially inscribes itself within Varda, in the process of her affirmation as a constructor of meaning.
Keywords: Memory; Archive; Fabulation; Performance; Photography.
