Estimular para educar

Por Clarice Bernardes

Desde que começam a pensar em ter um filho, os pais já iniciam um processo de tomada de decisões: saber qual o sexo do bebê, a decoração do quarto, a escolha das roupas, como será o parto. Depois que a criança nasce, esse universo de opções se torna ainda maior. Estimular o filho pedagogicamente desde a primeiríssima infância pode ser uma escolha, o que pode ser feito principalmente a partir de escolas que ofereçam berçário e creches.

Ana Carolina Rabelo, pedagoga e proprietária de um colégio particular que atende esta faixa etária, afirma que, de forma geral, as escolas que recebem crianças na fase inicial utilizam-se de uma metodologia que envolve um processo de aprendizagem associado a brincadeiras. Segundo ela, o ensino ocorre de forma lúdica, por um modelo que traz recreações para despertar o interesse das crianças. “Por meio da utilização de cores, imagens, vídeos e jogos, as crianças são estimuladas a aprender conceitos pré-educacionais. Apesar de a diversão não ser a prioridade no ensino, ela é uma consequência”, aponta Rabelo.

A psicóloga Valéria Ribeiro, que atua há quinze anos com psicologia infantil e comportamental, ressalta que o ensino na fase inicial trabalha tanto o estímulo como a socialização e o comportamento dos pequenos. “A educação escolar na primeiríssima infância não atua como educação tradicional, mas como um ambiente propício e rico para estimular a criança”, afirma. Segundo a psicóloga, a inserção de uma educação infantil nessa fase faz com que elas já saibam as regras de como se comportar em uma esfera escolar e tenham contato com um novo ambiente sem ser o de casa.

A mãe Talita Lima relata que seu filho Pedro, de três anos, foi matriculado em uma escola de primeiríssima infância com poucos meses de vida. “Eu não podia ficar com ele em casa, porque tinha que trabalhar e não tinha com quem deixar. Foi por isso que procurei a escola e decidi matriculá-lo”, explica.

Hoje, Pedro frequenta essa mesma escola em turno integral e já está adaptado à rotina há quase dois anos. Além de aprender as cores, a desenhar e já saber alguns numerais, Talita conta que o filho se tornou mais sociável depois de ter contato com outro meio que não o domiciliar. “Antes, o Pedro era fechado, só conversava comigo, com a avó e com o pai. Hoje ele fala com todo mundo e já aprendeu muitas coisas na escola”, conta.

A psicóloga explica que a mudança de Pedro foi provocada pelos estímulos e pela socialização escolar. “As crianças que têm acesso a uma educação na primeiríssima infância têm mais facilidade na aprendizagem, se comparadas com as crianças que não recebem esse estímulo”, aponta Valéria Ribeiro. Ela complementa dizendo que a inserção e a reação dos pais nesse meio escolar é um ponto importante para estimular ainda mais o desenvolvimento das crianças, porque reflete no comportamento e adaptação dos filhos.

Algumas escolas contam ainda com um conteúdo adicional. A pedagoga Ana Carolina Rabelo afirma que no seu colégio, além de atividades coordenadas por pedagogos e aulas de Educação Física, música e inglês, são ministradas práticas de relaxamento como shantala e pilates para as crianças. “As aulas ocorrem por um tempo menor do que as demais e são ofertadas para faixas etárias específicas”, salienta Rabelo.

Atualmente, no Brasil, estudos relacionados ao campo da primeiríssima infância são fomentados na Fundação Maria Cecília Souto Vidigal. Com sede em São Paulo, a instituição apoia e tece parcerias com outras fundações brasileiras e estrangeiras que abordam a educação na fase inicial como primordial no desenvolvimento biológico e socioemocional em um processo contínuo da criança.

Um dos trabalhos apoiados pela fundação e resultado das parcerias foi o documentário “O Começo da Vida”. Segundo Artur Vitor da Costa, responsável pela comunicação da entidade, a Fundação foi encarregada por indicação de especialistas sobre primeira infância no mundo para as entrevistas do documentário.

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