“Fragmentado” vai mexer com a sua mente

Por Isabela Silveira

Dirigido por M. Night Shyamalan, “Fragmentado” (2017) comprovou a boa forma do diretor para construir o “clima” de um filme. Ele conseguiu criar uma atmosfera de suspense com maestria, nos remetendo aos seus melhores e mais famosos trabalhos, como “O Sexto Sentido” (1999) e “Corpo Fechado” (2000).

“Fragmentado” conta a história de Kevin (James McAvoy), um homem que sofre de transtorno dissociativo de identidade, ou seja, possui múltiplas personalidades. O que se pode afirmar, porém, é que não são apenas personalidades, mas sim diferentes pessoas de fato. Destaque para uma cena que mostra o banheiro de Kevin, onde 23 escovas estão sobre a pia e a sombra delas na parede nos remete a figuras humanas.

A história começa com o personagem principal assumindo uma de suas personalidades mais intrigantes: Dennis, que sofre de transtorno obsessivo-compulsivo. Ele sequestra três garotas: Casey, Claire e Marcia, que tentarão escapar do cativeiro ao mesmo tempo em que descobrirão as várias facetas do personagem. Ao longo do filme, vamos conhecendo mais essas singularidades, muito por conta das sessões que o protagonista tem com sua psiquiatra, Dra. Karen Fletcher (Betty Buckley), que funciona como nossa guia através da mente do personagem. Na clausura, Dennis e outras duas personalidades de Kevin – Patrícia e Hedwig – prenunciam a chegada de uma “Fera”, uma nova e perigosa personalidade. Através do clima de suspense criado pela trama, a impressão passada ao espectador é que as três garotas sequestradas fazem parte de um ritual que está sendo preparado para elas.

Pôster de divulgação

Uma das prisioneiras chama a atenção durante o longa. Casey (Anya Taylor-Joy) é peça-chave no enredo. Paralelamente aos conflitos vividos pela clausura, vamos conhecendo seu passado problemático e como sua vida a preparou para que tivesse forças para enfrentar a situação.

Tematicamente, o filme mergulha nos mistérios do cérebro, como ele age na proteção do indivíduo e como ele pode potencializar o ser humano. Uma temática bastante delicada. E Shyamalan pecou nesse ponto, pois não teve muito cuidado na forma de abordar o assunto. O tom, muitas vezes, fica pesado demais porque “Fragmentado” não mostra com clareza um contraponto ao lado perverso de Kevin, gerando polêmica por retratar um indivíduo com distúrbio de identidade como alguém que parece estar totalmente fora da sua sanidade mental. E isso não é necessariamente o caso, apenas reforça o estereótipo de loucura dessas pessoas.

Porém, ao final do filme, temos certeza que o diretor se dedicou à criação muito mais de um personagem inesquecível do que um enredo mirabolante. Nem a história, nem mesmo a intrigante Casey chamam mais atenção do que a atuação de James McAvoy. Incorporar um psicopata, uma mulher, uma criança, sem muitos recursos extras, como maquiagem e perucas, envolve o sério risco de cair no ridículo. Não é o caso de McAvoy, que é brilhante e rouba todo o nosso fôlego. Ele atua de forma que é perfeitamente possível reconhecer quem está operando o corpo de Kevin, com expressões que vão da insanidade à inocência em instantes, seja piscando os olhos ou mudando o tom da voz.

 

 

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