O mundo dos sonhos na arte

Por Ana Eliza Barreiro e Thiago Crepaldi

A invenção e a popularização da fotografia, no início do século XX, modificaram radicalmente a arte. Muitos pintores resolveram buscar na abstração novos impulsos para reanimar suas criações. Uma das facetas dessas novidades foi procurar justamente expressar um universo íntimo e misterioso: a mente. Quando o mundo dos sonhos, desejos e medos inconscientes tomou conta da arte, um novo movimento surgiu. Em 1924 foi criado o Surrealismo, vanguarda artística iniciada pelo poeta e psiquiatra André Breton.

Esse movimento foi diretamente influenciado pelas teorias de Sigmund Freud, pai da psicanálise. A libertação da mente lógica, imposta pela moralidade social, e a vazão das informações vindas do ambiente onírico são características presentes no surrealismo. Esse viés criativo fora dos padrões da época e que traz à tona uma confusão emotiva do subconsciente foi de grande importância no século XX e tem ramificações até hoje.

As obras carregadas de ironias e utopias continuaram possibilitando abertura para um olhar intimista sobre o mundo misterioso que existe na nossa própria mente. Confira algumas obras de artistas consagrados dessa vertente nas artes plásticas, cinema e poesia.

 

Salvador Dalí

“Como posso querer que meus amigos entendam as coisas loucas que passam pela minha cabeça, se eu mesmo, não entendo?”

A Persistência da Memória – 1931. Salvador Dalí.

 

A Metamorfose de Narciso – 1937. Salvador Dalí.

 

A Tentação de Santo Antônio – 1946. Salvador Dalí.

 

Joán Miró

“O quadro nasce dos pincéis como o poema nasce nas palavras. O significado vem depois.”

 

O Carnaval de Arlequim – 1924. Joán Miró.

 

O Jardim – 1977. Joán Miró.

 

Escultura Mulher e Pássaro – 1983. Joán Miró. Fonte: Wikipédia

 

Luis Buñuel – “Um cão Andaluz”

A obra “Um cão Andaluz” (1928) foi criada por Buñuel e Salvador Dalí, baseada em sonhos dos dois. Este curta-metragem é um marco do surrealismo no cinema, pontapé inicial de Buñuel enquanto diretor do gênero, além de ser considerado precursor de obras de terror pela forte simbologia de choque. O filme quebra com a linearidade narrativa, não tendo sequência lógica, e tem intensificação de cenas absurdas.

A trama já se inicia com uma cena intrigante, uma navalha no olho, que representa um corte na visão unilateral das pessoas trazendo uma perspectiva onírica, abstrata e simbólica para a tela.

Várias simbologias são postas na obra, como mãos formigando, que representam o desejo de matar, ou repressão sexual do homem pela religião. O curta tem total quebra de lógica e o ponto interessante é exatamente a busca por mostrar as realidades que saem dos padrões.

Assista:

 

Louis Aragnon

As Realidades

Era uma vez uma realidade

com suas ovelhas de lã real

a filha do rei passou por ali

E as ovelhas baliam que linda que está

A re a re a realidade.

Na noite era uma vez

uma realidade que sofria de insônia

Então chegava a madrinha fada

E realmente levava-a pela mão

a re a re a realidade.

No trono havia uma vez

um velho rei que se aborrecia

e pela noite perdia o seu manto

e por rainha puseram-lhe ao lado

a re a re a realidade

CAUDA: dade dade a reali

dade dade a realidade

A real a real

idade idade dá a reali

ali

a re a realidade

era uma vez a REALIDADE.

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