PONTES NÃO CONSTRUÍDAS

Por David Rodrigues

Segundo a psicóloga clínica, Rosemeire Zago, em seu artigo “O abandono que não se esquece” publicado no Portal da Psique, “quando falamos de abandono não é apenas em casos em que uma criança é literalmente abandonada por seus pais, a quem se espera ser amada e cuidada, mas aquelas que são abandonadas através da negligência de suas necessidades básicas, da falta de respeito por seus sentimentos, do controle excessivo, da manipulação pela culpa, ainda que ocultos, durante a infância”.

Essas experiências forçadas e traumáticas causam, na maioria dos casos, danos que o indivíduo leva para vida adulta por essas lembranças terem se enraizado em sua personalidade, aparecendo vez ou outra como obstáculos no convívio social dele, na criação de novos vínculos afetivos. Em seus pensamentos, o indivíduo sempre analisa as outras pessoas envolvidas nesses laços humanos pois ele consegue imaginar vários cenários em que será abandonado e lhe parece que uma situação assim sempre estará em iminência em sua vida.

Foto: VisualHunt

Um filho abandonado pelo pai antes mesmo de nascer, por exemplo, pode na fase adulta procurar pistas do paradeiro dele depois de anos sem qualquer tipo de contato na tentativa de estabelecer um vínculo. Porém, essa busca em construir uma ponte afetiva precisa ser uma via de mão dupla. Não adianta apenas o filho ser corajoso o suficiente; também é necessário que o pai esteja receptivo a esse contato. Caso contrário, além da ferida do abandono, novas serão abertas por causa dessa segunda rejeição.

Dessa forma, essas situações de abandono, negligência, falta de respeito, controle e manipulação são um efeito dominó de traumas que marcam o indivíduo, influenciando e dificultando suas convivências. Isso, no entanto, pode ser amenizado com o engajamento em solucionar esses conflitos tanto externos quanto internos e também com ajuda profissional por meio de sessões com psicólogos.

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