O FANTÁSTICO MUNDO DAS SÉRIES

Por Talita Vital

Que atire a primeira pedra quem nunca se apaixonou por uma série. Digo paixão, porque é um relacionamento de amor e ódio, de lágrimas e risos, de emoção e frustração.

O compromisso que minha avó tinha de ver a novela das sete, eu e mais de 3.720.000 seguidores de Grey’s Anatomy no Twitter, temos às quintas-feiras quando é dia de episódio. O sábado à noite que minha mãe, quando jovem, combinava de ir ao cinema, eu e vários amigos, hoje, combinamos de assistir uma das muitas séries da Netflix. O que antes era entretenimento continua sendo entretenimento, mas hoje está tão interligado ao estilo de vida que passamos a nos reconhecer naquelas narrativas e a nos conectar com outros fãs que têm o mesmo interesse em comum.

Foto: Divulgação

Nós, fãs, temos na capa do Facebook uma foto da nossa série preferida. É como se falássemos: “prazer sou fã de Grey’s Anatomy e você?” Usamos camisetas, canecas e entramos em “brigas” no Twitter e Facebook por personagens que amamos e odiamos também, é que nem família, mexeu com um, mexeu com todos.

Gritamos para os quatro ventos nossas paixões por narrativas de ficção. Sim ficção, mas que mexe com a gente, nos emocionam, nos inspiram, nos fazem chorar e até acalentam a alma nos dias conflituosos.

Quem é fã de Grey’s Anatomy e não chorou quando o aquele-personagem-que-é-melhor-não-ser-nomeado-pra-não-dar-spoilers morreu? Quem não torceu pelo grupo do Rick de The Walking Dead conseguir fugir do ataque zumbi? Quem não sentiu ódio do Joffrey de Game of Thrones? Que não sentiu aquele nó na garganta assistindo 13 Reasons Why? E quem não se sentiu inspirado com Girlboss? A lista de emoções é inumerável.

Ser fã é não saber disfarçar o que se sente. Por exemplo, meus cachorros têm nomes de personagens, as conversas nos bares com meus amigos são cheias de referências à nova temporada de Sense8, no estágio conversamos sobre o final trágico de Bates Motel e, até para tomar café, uso minha caneca igual à de Gilmore Girls.

Foto: Divulgação

É nas séries que nos encontramos. É como torcer por um time de futebol e gritar “GOL” quando aquele jogador marca aos 45 do segundo tempo. Sentimos aquela alegria inexplicável quando a equipe ganha, choramos quando o time perde e abraçamos o desconhecido do lado na arquibancada, mas tudo isso online. O sentimento que conecta uma torcida de um time de futebol é mesmo que conecta os fãs de séries.

Ser fã é se conectar com um mundo fantástico de pessoas que também são intensas como você. É movimentar a indústria do entretenimento de acordo com nossos interesses e vontades. É se apropriar de algo que nos faz bem ou simplesmente nos chama atenção. E, se houver “cura”, como dizem meus pais, eu dispenso.

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