DISTANTE DE CASA

Por Giovanna Tedeschi

Era bem fácil viver na casa da mamãe. Roupa lavada, comida feita, casa limpa, apoio moral. Até que veio a oportunidade: passei na faculdade. Aquilo que nunca foi uma intenção minha aconteceu. E com isso a grande questão: ficar no conforto da minha casa ou seguir o sonho?

Optar por cursar Jornalismo em outro estado parece ter sido a escolha certa para mim, concluo um ano depois. Mas isso não significa que é fácil viver a 546 quilômetros do que foi minha casa quase uma vida inteira. Aliás, não significaria tanto se toda minha família estivesse mais perto.

Logo que me mudei, era constante a vontade de pegar o primeiro ônibus para São Paulo, voltar correndo para os braços dos meus pais e fazer o primeiro cursinho que encontrasse. Mas, ao me conectar com pessoas, aprender a amar meu curso e desejar essa carreira, me mantive firme, mesmo sentindo aquela tristeza que me dá uma rasteira de vez em quando.

Agora eu precisava me preocupar com tudo: o que ia ter para o jantar? Quando seria minha vez de limpar o apartamento? Quais roupas devo colocar juntas na máquina? Porque além do impacto de ver minha família com pouquíssima frequência, agora eu precisava me virar, cumprir todas as minhas responsabilidades, além de lidar com todas as novidades de uma universidade.

Imagem: Visualhunt

Mas, o lado bom de tudo isso é que a conexão com minha família não diminuiu com a distância. Skype, Facetime, Whatsapp… tudo isso ajudou muito na transição. Mas acredito que o que mais me ajuda a amar onde estou (tanto física, quanto psicologicamente) são as conexões que o ser humano é capaz de criar em todo lugar.

Para mim, nunca foi fácil me aproximar de desconhecidos, confiar em pessoas novas ou mesmo começar a conversar com qualquer um. Por isso, a grande dificuldade no começo. Eu mantinha os laços familiares, mas era difícil criar novas amizades. Isso mudou porque, aos poucos, senti a confiança e conseguir me abrir.

Aliás, uma das minhas teorias em relação aos meus diversos amigos que também se mudaram para realizar um sonho, é que nos tornamos mais próximos por causa da distância de nossas famílias de sangue. Ou seja, nos encontramos uns nos outros, convivemos praticamente todos os dias, e sentimos muito quando nos separamos. Inclusive, muitos de nós passaram a literalmente morar juntos, tamanha a conexão.

Alguns dias de solidão, pensamentos ruins e tristeza me trouxeram ao que sou hoje: uma pessoa mais resistente, independente e feliz. E espero que capaz de enfrentar diversos obstáculos que ainda vão aparecer no caminho, além de criar muitas outras conexões.

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