ACESSO RESTRITO

Por Giovanna Tedeschi

Apesar de aparentar ser uma ferramenta de comunicação amplamente utilizada, o acesso à internet no Brasil não é tão abrangente quanto pode parecer. Pesquisa realizada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), demonstra que o uso do ambiente digital no país ainda deixa a desejar. Os dados foram coletados para a 11ª edição da pesquisa TIC Domicílios 2015 e mostram que classes econômicas com menor poder aquisitivo ainda estão distantes do ideal do contato com a rede no dia a dia.

Com abrangência nacional, a pesquisa observou domicílios brasileiros e indivíduos com mais de 10 anos de idade. Ao todo, foram realizadas 23.465 entrevistas em 350 municípios do país.

Os dados obtidos foram classificados de acordo com proporção de usuários de internet por ano, classe social e área, conforme demonstrado na Figura 1.

Proporção de usuários de internet – Imagem: CGI.br / Divulgação

Segundo a pesquisa, o acesso à internet no Brasil subiu de 34% para 58% do total da população em um período de sete anos. Apesar do aumento ter alcançado todas as classes sociais, a abrangência da rede nos lares mais pobres continua menor. Em 2015, ano de realização da pesquisa, o acesso da classe A era de 95%, enquanto o das faixas categorizadas como D e E era de 28%.

Quando se trata do critério “áreas”, é observada a abrangência da internet em domicílios urbanos e rurais. Também em 2015, foi avaliado que o acesso à rede nos lares localizados na zona urbana era de 63%, enquanto apenas 34% dos domicílios da área rural estavam conectados.

Mais um gráfico divulgado pelo CGI.br demonstra o acesso à Internet por região brasileira. Enquanto o Sudeste tem 60% de domicílios com acesso à rede, o Norte é o local com menor alcance a ambientes online: nesses estados, apenas 38% dos lares estão conectados (Figura 2).

Proporção de domicílios com acesso à internet – Imagem: CGI.br / Divulgação

Um dos objetivos da pesquisa foi também observar que dispositivos são mais utilizados pelos brasileiros na hora de acessar a web. Em primeiro lugar ficou o celular, responsável por 76% das conexões em 2014 e 89% em 2015. Por último está o videogame, com uso de 5% em 2014 e 8% em 2015. É possível perceber também que o uso de tablets e computadores (de mesa ou notebooks) diminuiu entre os dois anos (Figura 3).

Proporção de usuários de internet no telefone celular – Imagem: CGI.br / Divulgação

Além disso, a pesquisa observou que tipo de conexão é mais usado no país.  De acordo com os dados coletados em 2015, maioria das classes sociais utiliza Wi-fi (internet sem fio) como fonte de acesso. A única faixa econômica que foge a essa regra é a A, que se conecta majoritariamente por redes 3G ou 4G (Figura 4).

Proporção de usuários de internet por dispositivo individual – Imagem: CGI.br / Divulgação

Para mudar esse cenário, iniciativas como o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), sancionado em 2010, são alternativas bem-intencionadas. Com o objetivo de ampliar o acesso à internet em regiões e lares mais pobres, a implantação do programa tem dado curtos passos desde seu decreto. Vítima de dificuldades de incentivo, viu a crise política como empecilho, mas segue com a meta de elevar os números de abrangência da rede a 95% dos domicílios em 70% dos municípios brasileiros.

Você pode conferir, aqui, a pesquisa completa.

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