MENS SANA IN CORPORE SANO

Por Giovanna Tedeschi

A maioria das pessoas supõe uma separação entre corpo e mente, mas a realidade é que os dois estão intrinsecamente conectados. Desde a maneira com que a pressão social afeta nossa aparência até o uso do corpo para construir uma melhor saúde mental, é possível notar essa conexão em diversas áreas.

Estudante de Psicologia, Paula Nohanna esclarece que a divisão mente-corpo é apenas uma formalização conceitual que facilita o entendimento e acredita que não existe corpo sem mente, nem mente sem corpo. “O que fazemos é só dar sentido às percepções internas e externas que se acumulam em nós. As experiências de ser-no-mundo nos deixam marcas e estas se manifestam de diferentes formas assim como se articulam para criar novas experiências em prol da sobrevivência e relações com o mundo – pessoas e coisas”.

Paula explica, ainda, que já nascemos corpo, mas é necessário conhecê-lo e experimentá-lo suficientemente para se sentir corpo. “A apropriação do corpo, uma consciência corporal, alimentação saudável, respiração consciente, exercícios físicos e formas de arte corporais, as quais permitem sentido e expressão daquele que a pratica, são constituintes fundamentais à saúde mental”.

A percepção de nossos corpos é extremamente afetada pela sociedade, podendo até desencadear doenças de fundo psicológico – como depressão, anorexia e bulimia –, uma das provas de que corpo e mente não estão realmente separados. Luiz Carlos da Silva, professor do Instituto de Psicologia da Universidade Federal de Uberlândia explica como esses distúrbios podem surgir. “Compreender a maneira com que o corpo afeta as relações sociais implica observar a representação do corpo na mídia, e obviamente como o corpo abjeto gordo, feio, deficiente, velho e doente despertam preconceitos e discriminação”.

O educador físico Michael Munhoz exalta que os movimentos realizados pelo corpo afetam também a mente e esclarece que “se a pessoa realiza um movimento pela primeira vez, tanto a mente quanto o corpo têm um novo estímulo. Com a repetição, corpo e mente assimilam esse mesmo movimento, que será reproduzido mais facilmente quando solicitado”.

MENTE QUIETA

Remontando às tradições orientais, uma antiga prática com origens na yoga e no budismo busca estabelecer e equilibrar a relação entre corpo e mente: a meditação. Atualmente, há diversas maneiras de praticar a meditação, como as guiadas por CD ou por pessoas experientes no assunto. Também existem aquelas com atenção e foco na respiração, além das que utilizam repetições de palavras ou sons, entre várias outras.

Praticante assíduo da atividade, o biólogo Pedro Palma acredita na importância de um corpo saudável para a manutenção de uma mente tranquila e relata um maior sentimento de calma, diminuição da ansiedade e melhoras na postura desde que começou a se dedicar à técnica. “A meditação auxilia o corpo com o alívio de estresse, além de proporcionar melhorias no sistema imunológico e também na pressão sanguínea. Esse exercício ajuda na maneira como encaramos as adversidades do dia a dia, permitindo que possamos pensar antes de agir”.

Além dos benefícios individuais e comprovação científica de sua eficácia na cura de doenças, Palma acrescenta que a meditação também pode colaborar para a sociedade. “Escolas que implantam a meditação apresentam melhoria no relacionamento da comunidade escolar e também melhora no rendimento dos alunos”.

Esse impacto vem sendo testado e percebido por diversas empresas brasileiras que apostaram na técnica para aumentar a produtividade e garantir melhores condições de saúde para seus funcionários. Em entrevista a O Globo, o fundador da Casagrande Engenharia, João Casagrande, contou que, desde a incorporação da prática à rotina de trabalho, o foco e a calma das pessoas estão ampliados mesmo nos momentos mais difíceis. “Mesmo nas situações mais estressantes, a equipe consegue manter uma serenidade no rosto. Não há aquele semblante de tensão ou olheiras”.

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