GUERRA COM O ESPELHO

Por Ketylen Cardoso
Foto: Victoria's Secret

Foto: Victoria’s Secret

Academias, dietas, spas, procedimentos cirúrgicos, produtos que prometem deixar mais bela e mais magra, alimentos diet, light, zero, com baixas calorias ou mesmo nenhuma – toda mulher, pelo menos uma vez, já pensou em procurar alguma dessas alternativas. Sacrifícios como esses são rotina na vida de mulheres por todo o mundo que possuem o mesmo objetivo: alcançar o “corpo ideal”. Corpo esse que, impetrado pelo consciente coletivo na atualidade, necessariamente precisa ser magro, esguio e atlético.

Uma preocupante pesquisa da organização britânica Girlguiding mostrou que, desde muito novas, as mulheres sentem-se pressionadas a corresponder a esse padrão de beleza. Tendo entrevistado mais de 1600 meninas, os resultados apontaram que 25% delas, entre 7 e 10 anos, dizem já sentirem pressão para terem um corpo “perfeito”. Um terço das garotas acredita que as pessoas as levam a pensar que a coisa mais importante sobre elas é a aparência.

A sociedade impõe e cobra o padrão de beleza ideal sobre as mulheres, apesar de ele ser realizável em menos de 5% da população feminina em termos de peso e tamanho e em algo próximo de 1% em termos de forma. Toda essa pressão social para ter o corpo perfeito é a origem da insatisfação das mulheres com a sua imagem corporal: em pesquisa da rede de tratamentos Onodera com 3500 mulheres brasileiras, apenas 8% se revelou satisfeita com seu reflexo no espelho.

Isso acontece porque a visão que cada uma tem da sua própria aparência sofre influência não somente de suas experiências pessoais e da sua personalidade, como de vários fatores sociais e culturais. A forma como uma mulher percebe a si mesma depende da forma como a sociedade a percebe, da forma como a mídia a representa e dos papéis que a cultura atual atribui ao seu corpo.

O padrão de beleza vigente na sociedade atual é amplamente difundido na mídia: ele está representado nas atrizes da TV e do cinema, nas modelos dos comerciais, dos desfiles e das revistas e nos famosos recentes das redes sociais. Essa exposição massiva do modelo ideal de beleza feminina propaga a ideia de que o corpo magro e “perfeito” é normal e tudo o que está aquém da perfeição é anormal e feio, quando, na verdade, esse padrão não corresponde à realidade de quase nenhuma mulher e não as representa.

Em pesquisa realizada no Departamento de Psicologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da Universidade de São Paulo, publicada em 2013, mostrou-se que a exposição às imagens idealizadas pela mídia contribui para um aumento na insatisfação com o próprio corpo. Após a exposição a fotos de modelos que representam ideais de beleza, 37,5% das mulheres do grupo experimental selecionaram uma silhueta diferente da escolhida como desejada antes da visualização. Dentre estas, 80% das mulheres optaram por uma figura mais magra.

Em busca desse padrão de beleza irreal e inalcançável, as mulheres tornam-se escravas da ditadura da beleza e, cada vez mais, submetem-se a sacrifícios que podem comprometer a sua saúde física e mental – chegando a desenvolver distúrbios como o transtorno de ansiedade, a depressão, a anorexia e a bulimia. Elas recorrem à indústria da beleza, a dietas radicais, exercícios físicos em excesso e tratamentos estéticos e cirúrgicos que são, em sua maioria, caros e que nem todas as mulheres têm condições financeiras de bancar, o que pode causar frustração.

EU ME AMO

Em resposta à ditadura da beleza, muitas mulheres estão fazendo uma revolução, desconstruindo o conceito de beleza e a crença de que só um tipo de corpo, cabelo, pele e traços é bonito. Essas mulheres levantam a bandeira da autoaceitação e do amor próprio, do reconhecimento de que cada uma tem uma beleza única e singular, diferente dos padrões.

Foto: Dove

Foto: Dove

Veja alguns vídeos que a Nós selecionou especialmente para ajudar nessa desconstrução:

Campanha da grife de camisetas FCKH8, o vídeo “Feminists vs Photoshop” traz mulheres reais mostrando seus corpos fora dos padrões impostos

Na campanha “Retratos da beleza real” a marca de cosméticos Dove demonstra o impacto dos padrões sobre a autoimagem de mulheres comuns

O vídeo da OBG Global Democracy demonstra como a beleza exaltada pela mídia é, na realidade, construída e inatingível

“Ideal Body Types Throughout History”  é um vídeo criado pelo portal BuzzFeed que faz uma divertida brincadeira demonstrando como os padrões de beleza são construídos e se modificam ao longo do tempo

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