PARA DE DRAMA

Por Giovanna Tedeschi

Sempre que qualquer tema me vem à cabeça, começo a refletir sobre meus próprios sentimentos. O medo é um desses que me afeta profundamente, nas mais diversas esferas e proporções. Tem aquele medinho de insetos. O medo de altura. O medo de morrer. Medo de não ter um futuro de sucesso, de depender dos meus pais para me sustentar. Mas acredito que, atualmente, o medo que mais me tem feito companhia relaciona-se com a faculdade – ironicamente, a mesma faculdade que me possibilitou escrever esta crônica.

Não faz tanto tempo assim, mas me lembro bem do meu primeiro dia de aula, quando fui uma dessas pessoas completamente perdidas. Pela primeira vez na vida eu passava a depender integralmente de mim mesma. Se isso já não é motivo suficiente pra estar perdida, é importante salientar que eu havia me mudado de estado – sem minha família. É bastante assustador estar num lugar completamente desconhecido, repleto de estranhos e num ambiente extremamente diferente do que eu estava acostumada no Ensino Médio.

Hoje aquele terror todo soa um pouco cômico, depois de descobrir que o maior medo vem mesmo depois da adaptação: ele aparece incrustado no todo-dia, naquela crescente pressão de ser adulto e resolver seus próprios problemas e, principalmente, no desempenho dentro da sala de aula.

É aquela velha rotina: Acordar. Trabalho para entregar. Levantar. Prova para estudar. Aquele pavor de falhar. “Você só estuda, não tem com o que se preocupar”, “quero ver quando for trabalhar”. Uma vida baseada em decorar, pesquisar, não parar para descansar.

Muitas vezes visto como uma fobia específica, encaro o medo como algo que ocorre esporadicamente. Apesar de ser meu primeiro ano na faculdade, o estresse já é algo que se tornou parte constante da minha rotina. O ser saudável deixou de ser prioridade.

Foto: Greatfon

Foto: Greatfon

Claro que vou passar noites acordada pensando no meu histórico acadêmico. Claro que nunca vou me considerar boa o suficiente ou digna da posição que ocupo. Eu, que nunca precisei me preocupar muito com a escola, já acordo com o pânico de não ser capaz. De não conseguir chegar onde preciso.

O medo que sentimos todos os dias não pode ser simplesmente deixado para lá, para focar no que “realmente importa”. Será que não deveríamos nos preocupar primeiro com o que nos faz felizes e depois com o que nos assusta? O que aconteceu com aquela adrenalina, muitas vezes perigosa, mas necessária?

Então vem a resposta para aquele textinho motivacional bem clichê que quase foi inserido aqui, mas mudado segundos antes de ser digitado: não, não é simplesmente levantar e enfrentar seus medos. Muitas vezes, eles não serão superados, mas carregados numa batalha que durará muito tempo, se quem os sente não perceber a tempo que nossa prioridade não é “vencer na vida”, mas fazer o que nos dá prazer.

Nossa geração tem como lema trazer a formação acadêmica em primeiro lugar, mas a faculdade está longe de ser o lugar em que mais podemos aprender. O mundinho que existe fora de nossa redoma pode oferecer muito mais conhecimento do que uma sala de aula.

Acredito que a música pode ser uma metáfora incrível em diversas situações, então para mim é bastante interessante relacioná-la com o momento em que vivo. Sendo assim, eu prometo tentar dar um pause na playlist da minha própria vida. Ver se as músicas estão no lugar em que precisam ficar. Selecionar o aleatório, me preocupar menos com consequências e mais com o que me faz feliz. Conhecer novos estilos, bandas, dar a chance a canções desconhecidas. E não me esquecer de experimentar.

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