NOS TRILHOS DA MAÇÃ

Por Renato Taioba

Amava parques de diversões. Não tem uma lembrança mais marcante da minha infância do que os desejados passeios nos parquinhos que vez ou outra invadiam a minha cidade. Filas e filas enfrentadas ao lado da minha mãe que, de mãos dadas a mim, insistia num “chega, Renato!”. Com 8 anos, eu não era muito chamado de Taioba. A felicidade nessa idade depende de pequenas coisas. Junto das repetidas idas ao carrinho de bate-bate eu devorava algumas maçãs do amor. Tinha mais interesse pela maçã do que pelo amor.

Se tem um brinquedo que sempre tive pavor é a montanha-russa: inconstante, assustadora e rápida como as paixões platônicas. Há pouco tempo decidi que precisava perder esse medo e entrei na fila da maior montanha-russa do mundo. Ou da minha vida. Compro meu ingresso com mãos trêmulas. Entrei na fila do brinquedo que ali já tinha algumas pessoas ansiosas para entrar. Eu me via arredio e inseguro. Será que era necessário passar por essa experiência? Enchi o peito com uma coragem desproporcional à minha altura e fui. Confesso que quando o carrinho começou a andar na primeira subida, eu fui de olhos fechados. Bem fechados. O que facilitava o escorrer das lágrimas. Carrinho no topo e não dava mais para voltar atrás. “Eu gosto muito de você” e ele desceu com toda a velocidade de um batimento cardíaco. Batimento esse que quase parou por diversas vezes.

Subidas, alegrias. Descidas, decepções. Curvas, raiva. Loopings de 360 graus, indecisões. Desci depressa assim que o carrinho parou, enquanto alguns sortudos divertiam-se naquela montanha-russa e pediam “bis!”. Mais uma vez era tortura pra mim. Tonto demais para não conseguir sequer sorrir pelas vezes em que estar naquele carrinho foi realmente excitante. 39 segundos, 4 minutos e 16 meses foram a maior eternidade da minha vida. E ainda são. Fico feliz por ter enfrentado o velho medo de entrar na fila de uma montanha-russa. Contudo, as descidas e curvas do percurso ainda me deixam com borboletas no estômago. Agora não quero mais parques de diversões. Ou quero? Talvez no final da próxima montanha-russa tenha uma maçã do amor que me faça esquecer da maçã.

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