NÃO NOS ESQUECEMOS DE VOCÊ, CLUBE DOS CINCO

Por Lucas Ribeiro

Trinta anos se passaram e o cinema ainda não parou de falar sobre eles: os jovens rebeldes. Muito se foi feito com essa temática antes e depois do lançamento de “Clube dos Cinco” (“The Breakfast Club”, no original), clássico de 1985 dirigido por John Hughes que merece destaque por ter se tornado referência no cinema do gênero.

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Foto: Divulgação

O filme mostra o dia de detenção de cinco jovens na biblioteca da escola em pleno sábado, em castigo a pequenos delitos cometidos e com a tarefa de escrever uma redação de no mínimo mil palavras sobre quem eles pensam ser. Cada um dos personagens carrega consigo o estereótipo presente nas escolas estadunidenses e muito explorado pelo cinema hollywoodiano (principalmente da década de 1980): a patricinha, o nerd, a esquisita, o atleta e o bad boy.

Reclusos e com certo estranhamento entre suas diferenças, os cinco evitam interagir até que o tédio os faz ceder e é aí que o roteiro começa a desenvolver e trabalhar melhor cada um dos personagens e desconstruir a visão que temos e que eles mesmos têm uns dos outros. Desse mote, todo o diferencial do filme vem à tona.

Durante uma roda de conversa, eles questionam-se mutuamente o motivo de estarem na detenção e as histórias são postas pra fora, mostrando que, por trás de toda aquela figura clichê, existem jovens frágeis e com muito em comum, como a mesma vontade de ser diferente, de mudar, de rebelar-se! Sentimento muito presente na juventude daquela década, marcada pela rebeldia dos seus adolescentes.

Algo visto como promissor, mesmo que secretamente, pelo professor durão dos garotos que, ao decorrer do longa, mostra sua admiração torta e reflexiva pelos jovens “que cuidarão dele amanhã”, num raro momento de fragilidade no porão da escola, acompanhado do faxineiro. Esse é o frescor do filme: mostrar que esses jovens buscam, à sua maneira, ir contra o que não lhes é satisfatório, mesmo que seja por meio de uma “casca” estigmatizada.

Mesmo após longos 30 anos, “Clube dos Cinco” continua sendo altamente recomendado para todas as idades. Afinal, jovens rebeldes e revolucionários terão sempre o mesmo espírito, ainda que atualizados aos meios da sociedade contemporânea. Identificação e simpatia com os personagens continuam presentes no espectador.

A cereja do bolo é garantida pela trilha sonora nostálgica, composta – entre outras – pela canção “Don’t You (Forget About Me)”, dos escoceses da Simple Minds. Graças ao filme, a música foi eternizada mundialmente e nos remete, quase imediatamente, ao enredo e aos rostos dos personagens, com a batida sui generis da década de 1980. Assim como clama a canção, nós, fãs do clássico, não o esqueceremos jamais.

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