LEMBRANÇAS COLECIONÁVEIS

Por Cindy Freitas

Observando meu irmão menor encantado com a sua coleção de personagens do Super Mario Bros, ponho-me a pensar nas simplicidades que levamos de nossa infância. O brinquedo favorito, uma coleção, uma fotografia, um desenho feito.

Dizem que o sinônimo de criança é sinceridade. Eu penso que é a simplicidade. Criança não complica. É por isso que a infância é a melhor fase da vida: é aquela em que cremos que tudo pode ser consertado e o mais insípido dos objetos tem potencial para se tornar o protagonista de uma história encantada. Colecionávamos figurinhas, bonecas e figuras de ação ao invés de desventuras. Tínhamos orgulho de exibir pulseiras de miçangas que nós mesmas fazíamos, por mais absurdamente coloridas que fossem. O tempo que gastávamos em frente ao espelho era quase que somente para escovar os dentes – e que criança precisa de mais que isso? Despidas de vaidade, encantam pela autenticidade. Pela naturalidade do ser, do falar, do sentir.

Da minha infância, lembro com saudade das coleções que fazia; bem parecidas com a que meu irmãozinho tem hoje em suas mãos. Fui dona de bichinhos que se transformavam em projetos de pedras preciosas, de bonecos articuláveis, de brindes de lanchonetes de fast-food, de surpresas de Kinder Ovo e ovos de páscoa. Também fui a orgulhosa pequena autora de mais de 800 bonecas de papel, cada uma com um nome que eu mesma dava, das quais minha mãe morre de ciúme e até hoje mantém guardadas numa caixa que decorei. Desenhava cenas dos meus jogos de videogame favoritos e os pregava na parede do meu quarto com fita adesiva. Coisas tão simples, mas que, no meu mundo infantil, representavam tanto e que hoje se cristalizaram na minha lembrança como símbolos de uma época em que tudo era tão leve e ao mesmo tempo tão grandioso.

Cresci, e já não coleciono mais brinquedos. Não encontro mais tanto tempo ou inspiração para desenhar. Tudo o que coleciono hoje são textos e fotografias, representações por vezes abstratas dos meus pensamentos, ideias e sensações. Mas não deixo de me enternecer quando vejo brinquedos colecionáveis. Talvez isso signifique que a minha criança interior ainda está ali, quietinha, em algum lugar. Não para dominar minha personalidade ou me tornar menos adulta, mas para me manter simples e amável. Para não me deixar esquecer de que, numa outra época, foram as minhas mãozinhas que deram vida a uma geração de brinquedos. E que hoje podem levar vida a pessoas de verdade, com as quais convivo todos os dias.

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