DE DENTRO PRA FORA: SOU COMO SOU

Por Leandro Fernandes

A predileção pelo universo tido como masculino começou cedo. Aos três anos de idade ela queria ser como seus irmãos: preferiu o Superman, detestou vestidos e quis ser chamada de John. Ela seria apenas mais uma garotinha de nove anos “passando por uma ‘crise existencial’” se não fosse filha de quem é – o supercasal de atores Angelina Jolie e Brad Pitt.

Não é à toa que ela foi o primeiro bebê da história a ganhar uma versão em cera no mundialmente famoso Museu Madame Tussauds. Desde pequena, Shiloh Nouvel rouba o brilho até dos pais. Por onde passa, chama atenção por sua beleza delicada e por “se vestir ‘como menino’”.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Em entrevista à revista Vanity Fair, Angelina Jolie contou que ela e o marido nunca encararam a situação como uma dificuldade e só querem que a pequena se sinta amada e segura. De maneira alguma, a preferência por roupas e estilos esbarram ou caracterizam questões relacionadas à sexualidade, a identificação de gênero se distingue da orientação sexual.

Muitos especialistas defendem que a identidade de gênero se estabelece entre dois e cinco anos de idade e são unânimes em dizer que é uma característica inata e imutável. O casal hollywoodiano nunca declarou que a pequena Shiloh seja uma criança transgênero, porém o estilo “tomboy” da garota levanta um debate: o direito de escolher a identidade de gênero deve ser conquistado na primeira infância.

Cinco anos, essa é a idade de Jacob. Sua história foi contada em uma série de reportagens do canal de TV americano NBC e viralizou na internet. Ele nasceu Mia, mas logo aos dois anos de idade não se identificava com seu gênero.

Os pais contam no vídeo – sem legendas em português – que, quando Mia começou a dizer que era um menino, eles pensaram ser apenas uma fase, mas um acidente no trânsito mudou a vida deles. Eles perceberam, com a fragilidade da vida, que ela deveria ser vivida da melhor forma possível.

Bastou um guarda-roupa novo e um corte de cabelo para o garoto passar a ser mais confiante, sorrir mais e ser mais aberto. Aceito em sua família, os pais trocaram Jacob de colégio porque ele disse que não seria aceito como menino em sua escola.

É, justamente, esta a situação retratada no clipe “The Light” da banda francesa HollySiz. O vídeo aborda o preconceito sofrido por uma criança transgênero, hostilizada pelos colegas de escola, pessoas na rua e pelo pai.

Vítima da intolerância, da incompreensão e da ignorância, o clipe mostra uma criança que poderia ter seu nome substituído por Shiloh ou Mia. O fim do clipe é surpreendente, mas mostra o desrespeito pela diversidade que, diferente da ficção, John e Jacob já sofrem.

As crianças trans existem e precisam ser reconhecidas.

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