A BELEZA DE SER UM ETERNO APRENDIZ

Por Bruna Saquy

As noites de terça-feira da televisão aberta não são mais as mesmas desde que a Rede Bandeirantes estreou a versão brasileira do reality show culinário, MasterChef Brasil. Em sua terceira edição, a emissora apostou em cozinheiros mirins, com idades entre 9 e 13 anos, o MasterChef Júnior.

Foto: Band/Divulgação

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Mesmo composto por crianças, o MasterChef Júnior definitivamente não é um programa infantil – vê-se pelo horário de transmissão que vai das dez da noite à quase uma hora da manhã. Embora tenha tido uma notável mudança na postura combativa dos jurados – que, por sinal, tornou o programa bem menos indigesto – o MasterChef Júnior é um prato cheio pra quem quer ver algo diferente na TV brasileira.

E vai muito além da surpresa com os dotes culinários dos pequeninos que criam pratos lindos e mega elaborados. Encanta mesmo a forma com que eles lidam com situações de pressão e competição. Talvez por ainda não terem sido corrompidos pelo peso do estresse, muito constante em adultos, carregam uma leveza no semblante e uma alegria inspiradoras ao início de cada prova. Um choro aqui e outro lá quando algo dá errado e novamente somos surpreendido pelas atitudes dos colegas, que se mostram solidários e prontos a emprestar algum ingrediente quando necessário. Até os que se encontram imunes no dia, de cima do mezanino gritam dicas de procedimentos e palavras de incentivo.

Foto: Band/Divulgação

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É como se fossem um time, não adversários. Não há malícia. E é exatamente essa pureza que faz com que eles ajam, muitas vezes, com mais maturidade e serenidade que os grandões. Os “Masterchefinhos” só não querem ser eliminados, enquanto os “Masterchefões” querem eliminar os outros a todo custo.

Também não há arrogância e as crianças são plenamente conscientes de seus papéis de aprendizes – esse é outro motivo para o brilho do programa. Enquanto os adultos reagiam mal às retaliações dos jurados, as crianças as recebem com aquela típica sede no olhar, repetindo pros amigos como um mantra, fazendo de Henrique Fogaça, Paola Carosella e Erick Jacquin verdadeiros mentores, quase heróis.

Foto: Band/Divulgação

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O programa, de fato, beira o lúdico. Os pratos muitas vezes ficam em segundo plano. Os competidores são constantemente chamados de miniadultos pelos espectadores e, pensando bem, se crescessem com essas características, seriam grandes adultos de fato. Um reality inicialmente conhecido pela tensão que causava, hoje se destaca por nos fazer relembrar como tudo é mais divertido na infância.

Entre o MasterChef tradicional e o MasterChef Júnior, assim como Gonzaguinha, fico com a pureza da resposta das crianças. Para elas, a vida (ainda) é bonita, é bonita e é bonita.

Foto: Band/Divulgação

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