VAMOS FALAR SOBRE SUICÍDIO?

Por Neimar Alves

A humanidade caminha permeada a certos tabus ainda trancafiados a sete chaves. Pouco se comenta ou a hipocrisia faz fingir que são inexistentes. O suicídio é um deles. Tabu para parte das civilizações ocidentais contemporânea, as discussões nos círculos sociais e as problematizações são pouco exploradas; sabe-se da existência, mas raramente o assunto é aprofundado, problematizado e visto como objeto de estudo.

O suicídio despertou fetiches quando empregado ao longo da história da literatura mundial. Em 1774, houve a publicação do romance “Os Sofrimentos do Jovem Werther”, de Johann Wolfgang von Goethe, uma das obras-primas da literatura mundial e marco inicial da escola literária chamada de Romantismo. Werther se mata por causa do amor não correspondido de sua amada Charlotte.

Foto: Divulgação/Editora Nova Alexandria

O romance provocou a uma onda de suicídios entre os jovens europeus, embora não existam dados quantitativos da época, exemplares eram encontrados junto aos corpos. O livro, na época, chegou a ser proibido na tentativa de impedir novos casos. Passados 240 anos, o “efeito Werther” talvez ainda seja o argumento mais utilizado para justificar o receio em não tocar nesse assunto que faz brotar arrepios na espinha de algumas pessoas.

Ao longo dos séculos são encontrados outros exemplos como a tragédia Hamlet de William Shakespeare com um dos monólogos interiores mais famosos da história. Quem não conhece a famigerada fala “Ser ou não ser, eis a questão […]”?

Para além do campo literário e muito próximo à tristeza do mundo de carne e osso, o ato voluntário de provocar a própria morte é o suicídio, palavra que deriva do latim sui (si mesmo) e caederes (ação de matar), portanto, ação de matar a si mesmo. O suicídio é um problema de saúde pública. Estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que em 2020 ocorrerá um caso de suicídio a cada 20 segundos.

Uma questão delicada e abafada pela mídia que poderia ter um papel importante ao desmistificar o senso comum que se criou ao redor do tema. Por outro lado, se você que lê este texto de alguma forma gostaria de receber ajuda, procure o serviço médico para ser orientado. Além disso, a ONG Centro de Valorização da Vida (CVV) disponibiliza acolhimento emocional pelo número 141. Então, também vamos falar de aborto? De incesto? De drogas? Vamos falar de suicídio?

A morte de Werther, por Baude (Domínio Público)

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