QUANDO O UNIVERSO CONSPIRA

Por Flahana Pfeifer

Foto: Pixabay

Sou virginiana e curiosa. Todos os dias, quando o relógio passa da meia-noite, olho meu horóscopo como quem não quer nada, só para ver se as expectativas serão boas, se terei problemas com finanças ou se o dia que está por vir será carregado pelo caos das atividades intelectuais. A quem questiona minha crença na astrologia, digo que sou apenas interessada no assunto, já que não consigo chegar a uma resposta definitiva para tal indagação. Indecisão deve ser coisa do meu ascendente.

Algumas vezes tentei compreender meu mapa astral, mas acho que nunca me considerei autodidata ou esforçada a tal ponto. Foram inúmeras as situações em que amigos especialistas tentaram me mostrar os desenhos e constelações que existiam, enquanto conversávamos no meio da rua durante a noite, mas nunca consegui visualizar nada além de pontos luminosos espalhados pelo céu já tomado pela escuridão. De qualquer modo, observar as estrelas era algo que eu gostava e, talvez, este fosse um princípio da astrologia atuando em minha vida, mesmo que ainda continuasse cercada pela ignorância do assunto.

Foto: Pixabay

Assim como eu, Rinaldo Augusto é entusiasmado com este tema. Libriano, estudante de Jornalismo na UFU e meu amigo, Rinaldo, diferente de mim, decidiu investigar melhor a astrologia e virou meu consultor espiritual a cada vez que sou tomada por algum conflito interno e automaticamente acabo direcionando toda a culpa da situação aos astros. Para ele, “o autonhecimento realmente não tem que ter hora nem lugar para acontecer”, e eu, em busca de soluções para o meu dilema momentâneo, logo inicio a nossa conversa preferida sempre que nos encontramos, sem dar importância à posição em que os planetas estão naquele momento ou se o sol já começou a torrar nossas cabeças enquanto discutimos sobre infernos astrais constantes e o que faremos no final de semana.

Dias atrás, quando perguntei à Rinaldo a influência que a astrologia exercia em sua vida, fui tomada por uma resposta sincera e, ao mesmo tempo, alheia aos meus conhecimentos. “Eu diria que a astrologia interfere nas minhas crenças religiosas e na minha percepção do outro. A abordagem que eu gosto de seguir é a cármica, ou seja, voltada para a investigação das vidas passadas e assumindo que cada ser tem uma jornada de evolução. A astrologia só fez sentido para mim junto com o conceito de reencarnação e, a partir daí, ela influenciou, e muito, o modo como eu penso e me comporto”, disse ele me fazendo entender a dimensão de sua crença.

A astrologia mostrou à Rinaldo que ciência e religião podem caminhar juntas e ele me fez enxergar tal paradoxo de uma maneira sábia o suficiente para quem iniciou seus estudos há menos de um ano. Até o momento desta conversa eu poderia continuar me questionando quanto à veracidade dos astros e sua relação com a vida particular de cada um. Posso ainda não acreditar o suficiente no universo enquanto mentor do meu destino e da minha personalidade, mas acredito o bastante na fé do outro, na crença que cada pessoa carrega dentro de si, mesmo que sejam os corpos celestes as divindades mencionadas.

Imagem: Pixabay

No campo dos astros, Rinaldo e eu não temos a combinação ideal, mas no da vida mantemos nosso equilíbrio entre um gole de café e outro. O futuro jornalista e expert no assunto pretende um dia ministrar cursos e palestras direcionadas aos mais leigos, como eu, que buscam inteirar-se da astrologia guiados por sua curiosidade, regida pelo signo do zodíaco ou apenas pela vontade em aprender o novo. Para isso, Rinaldo precisará perder o medo de falar em público, mas já enxerga a receptividade do mesmo, ainda que tenha embaralhado o meu pensamento para poder explicar o seu: “Acredito que a nossa geração, nascidos entre 1987 e começo de 1996, veio com a mente aberta para esse tema e se envolve com mais facilidade com a astrologia, porque é a geração que tem Plutão em Escorpião, mas isso já é conversa pra outra hora”.


Nós e os astros

A equipe da Nós também falou um pouco sobre suas relações com a astrologia. Confira algumas respostas!

Arte: José Elias Mendes / Fotos: Acervo Pessoal / Ilustrações: Pixabay

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