POR TRÁS DA TELA

Por Pedro Vitor Alves Silva

No cenário audiovisual, reconhecimento e visibilidade se tornaram características importantes na vida daqueles que estão diante das câmeras. Mas o trabalho de muitos profissionais que não são aparentes ao olhar do espectador é estritamente necessário para que a “magia” desse universo aconteça. Um desses profissionais é o cinegrafista, que manuseia câmeras e equipamentos de alta qualidade e faz ser possível toda produção da mídia.

Marcos Ribeiro começou jovem, na cidade de Uberaba, Minas Gerais. Aos 14 anos já trabalhava fazendo filmagens amadoras em eventos como aniversários e casamentos e, aos 19, começou a trabalhar na TV. Mesmo sem fazer o ensino médio, Marcos aprendeu sua profissão na prática, buscando sempre o melhor. Ele conta como se aproximou da área: “Sou apaixonado pela fotografia, a todo o momento vejo possíveis fotos, sempre antes de fotografar algo, imagino a foto na minha cabeça”.

Ao contrário de Marcos, Érico Gabriel Silva saiu há pouco tempo de trás das câmeras de uma rede de televisão, pois pretende seguir uma nova carreira. Atualmente, está no sexto período do curso de Jornalismo e trabalha como assessor de imprensa. Pelo menos por enquanto, Érico não quer mais saber de TV! Ele pretende partir para a área de impressos, pois, como defende, “a caneta pesa menos que a câmera”, mas acredita na importância de sua experiência como cinegrafista.

Érico Foto: Pedro Vitor

Érico Gabriel Silva – Foto: Pedro Vitor Alves Silva

Vanessa Matos, atualmente professora de telejornalismo no curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Uberlândia, acumulou uma experiência de sete anos, a maioria deles, como repórter de TV. Para ela, o cinegrafista vai muito além de apenas o técnico que opera a câmera. “É um parceiro de trabalho! Essencial para garantir a qualidade do produto final”, define. “Os cinegrafistas me ensinaram coisas que eu não teria aprendido se não tivesse sido humilde”.

Tanto Marcos como Érico falam que a invisibilidade é algo esperado por pessoas que se interessam por essa carreira. Marcos diz que o reconhecimento é muito importante no mercado de trabalho, mas para isso o cinegrafista deve buscar sempre o melhor. Érico destaca que o trabalho do cinegrafista pode ganhar reconhecimento a partir do próprio esforço. “O capricho garante o status”.

Marcos considera que ser invisível prejudica no mercado de trabalho. “Cinegrafistas também possuem carreiras e não ser reconhecido atrapalha bastante”, afirma. Érico e Vanessa concordam, ressaltando que uma carreira bem construída e a experiência influenciam na remuneração do profissional. Por outro lado, eles acreditam que isso afeta positivamente a essência do trabalho. “O produto depende do desempenho do cinegrafista”, afirma Vanessa.

A valorização dos cinegrafistas pelos profissionais da área vem crescendo nos últimos anos. Eles defendem que a importância daqueles que operam a câmera é cada vez mais reconhecida como fundamental para a qualidade do material. “Sem nosso trabalho, não se tem imagem”, diz Marcos.

Como aspecto positivo, a invisibilidade com relação ao público é bem-vista pelos profissionais, que não sofrem assédio em trabalhos de campo, como é o caso dos repórteres. Érico finaliza destacando o quanto a profissão é gratificante, apesar de cansativa.


Captando o mundo

Em comemoração pelos seus 50 anos, em 2012, a RBS TV, emissora afiliada da Rede Globo no Rio Grande do Sul, reuniu seus cinegrafistas e produziu o documentário “O Meu Olhar“. A produção completa pode ser assistida clicando aqui.


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